Black Friday: quanto vender a mais para compensar o desconto?
Um desconto pequeno pode exigir um aumento enorme nas vendas só para manter o mesmo resultado. Veja o que acontece com sua margem na Black Friday.
Black Friday não é só vender mais
Black Friday costuma ser associada a uma ideia simples: baixar o preço para vender mais.
O problema é que vender mais não significa, necessariamente, lucrar mais.
Quando uma loja concede desconto, ela reduz diretamente a margem de contribuição de cada venda. Dependendo da margem original do produto, um desconto aparentemente pequeno pode exigir um aumento muito maior no volume vendido apenas para que o resultado final fique no mesmo lugar.
Um exemplo simples
Imagine um produto vendido por R$100, com custo total de R$60.
Sem desconto, sobram R$40 de contribuição simplificada por unidade.
Agora imagine que a loja dê 10% de desconto.
O preço cai para R$90. Mantendo o mesmo custo de R$60, a contribuição cai de R$40 para R$30 por unidade.
Para produzir os mesmos R$40 de contribuição que uma única venda gerava antes, a loja precisa vender aproximadamente 33% mais unidades.
E a conta fica muito mais pesada conforme o desconto aumenta:
- Sem desconto: contribuição de R$40.
- 10% de desconto: contribuição de R$30 — aproximadamente 33% mais unidades para manter o mesmo resultado.
- 20% de desconto: contribuição de R$20 — é preciso vender 100% mais unidades.
- 30% de desconto: contribuição de R$10 — é preciso vender 300% mais unidades.
"A pergunta não deveria ser apenas 'quanto de desconto vamos dar?', mas 'quanto precisamos vender a mais para que esse desconto faça sentido?'"
*Exemplo didático e simplificado, sem considerar impostos, taxas de cartão, comissão, frete e outros custos variáveis.
Desconto não é o problema
Desconto pode ser uma excelente ferramenta quando existe um objetivo claro.
Ele pode ajudar a liquidar estoque parado, atrair clientes, aumentar frequência de compra, liberar capital preso em mercadorias ou estimular compras maiores.
O problema começa quando o desconto deixa de ser uma decisão calculada e vira simplesmente a estratégia padrão da Black Friday.
Também não devemos olhar apenas para um produto isoladamente.
Um item de margem baixa pode ser estratégico quando atrai o cliente e gera a venda de outros produtos com margens melhores.
Nesse caso, vale acompanhar:
- Ticket médio
- Margem total da compra
- Quantidade de itens por venda
- Produtos comprados em conjunto
- Giro de estoque
- Capital investido
- Prazo de pagamento ao fornecedor
Estoque também entra na conta
Black Friday também é uma decisão de estoque.
Estoque é dinheiro convertido em mercadoria.
Se o produto vende, o capital retorna para o caixa. Se não vende, o dinheiro continua parado e muitas vezes a solução acaba sendo um novo desconto.
Por isso, uma boa Black Friday começa antes da campanha.
Ela começa entendendo o que vender, quanto comprar, qual margem proteger e até onde vale reduzir o preço.
Uma loja pode terminar a Black Friday comemorando recorde de faturamento e, ao mesmo tempo, ter produzido menos resultado do que imaginava.
"Faturamento não é lucro. Movimento não é resultado."
Antes de definir o desconto que aparecerá na vitrine, faça uma conta simples:
Depois do desconto, quanto realmente sobra em cada venda e quanto será necessário vender para compensar essa redução?
Quer testar essa conta com os números da sua própria loja?
Simule sua margem na calculadora